Este artigo analisa as dinâmicas das interacções entre organizações da sociedade civil, governos locais e o sector energético em três regiões-chave produtoras de energia em Moçambique: Inhambane, Tete e Cabo Delgado. Focaliza-se nos desafios e nas oportunidades para alcançar uma transição energética justa, num contexto político que prioriza investimentos e numa matriz energética predominantemente baseada em energia hidroeléctrica, gás natural e carvão. Com base em pesquisas realizadas em Moçambique sobre engajamento cívico e transição energética, o artigo apresenta três ideias centrais: (1) a dependência de Moçambique em combustíveis fósseis e a lenta expansão de projectos de energia renovável criam tensões entre a necessidade urgente de acesso à energia e os compromissos globais de mitigação climática; (2) a fragmentação do espaço cívico limita a capacidade das vozes locais influenciarem decisões políticas sobre a transição; (3) a criação de plataformas de engajamento democrático expandiria a participação comunitária e promoveria alianças estratégicas para abordar os direitos das comunidades locais.
