Expansão energética nas periferias globais: o fim dos territórios

Volume 56 Number 2
Published: November 12, 2025
https://doi.org/10.19088/1968-2025.137

Este artigo examina criticamente como a expansão das fronteiras extrativistas “verdes”, sob o pretexto da transição energética, reproduz padrões coloniais de desapropriação territorial e degradação ecológica. Com base em estudos de caso em Portugal e no Brasil, exploramos como os projetos de mineração de lítio, justificados por metas climáticas e pelo consenso da descarbonização, intensificam a violência ambiental e social em territórios historicamente marginalizados. Argumentamos que essas regiões são transformadas em “periferias” não pela geografia, mas pela dinâmica relacional dentro das cadeias de abastecimento globais, onde narrativas tecnocráticas de sustentabilidade ofuscam o conhecimento local e a diversidade ecossocial. O discurso da compensação não aborda as perdas culturais e ecológicas irreversíveis, enquanto a “transição energética” serve mais para garantir mercados e manter definições geopolíticas do que para promover a justiça. Destacando a resiliência e as práticas socioecológicas das comunidades locais, apelamos a cosmovisões diversas que centram a vida, a interdependência e a justiça, desafiando os paradigmas dominantes do “desenvolvimento verde” e oferecendo caminhos para uma transição verdadeiramente transformadora.

From Issue: Vol. 56 No. 2 (2025) | Struggles for Justice in the Energy Transition: Views from the Front Lines